Por Griô Produções
Ano cheio de emoções, surpresas, turnês, parcerias, empreendimentos e sucesso para GOG e banda, 2008 não poderia ser encerrado com pouca energia.
Depois de fazer um grande show na Funfarra, 12/12, tradicional festa que reúne música, artes plásticas e cênicas no Parque da Cidade, Brasília-DF, GOG partiu no dia 20/12 com sua equipe para Cuiaba -MT, onde foi convidado a tocar, palestrar e receber uma homenagem preparada pela produção do Festival Consciência Hip Hop. O evento é o mais significativo do gênero na região Centro-Oeste, com shows, seminários e uma premiação completamente voltada para artistas da cultura hip hop da região.
A participação do poeta e rapper GOG foi um dos momentos mais aguardados no Festival Consciência Hip Hop 2008, tanto no seminário quanto com a apresentação de seu show com banda, até então inédita em Cuiabá.
Na tarde de sábado, 21/12, as pessoas assistiram atentas ao seminário “Mercado Cultural e Militância no RAP: negócios e oportunidades”, sobre gestão sustentável e atuação politizada. Ninguém mais legítimo que GOG dentro da cultura hip hop do Centro-Oeste para compor a mesa. Ele que, logo após lançar a primeira música na coletânea “Peso Pesado do Rap”, em 1992, percebeu rapidamente a importância de tomar para si a gestão da sua carreira e abriu o próprio selo, a Só Balanço. Uma espécie de Motown do rap brasiliense que, além dos discos do GOG, colocou nas ruas alguns dos principais grupos do DF.
Ao lado de Linha Dura, coordenador do festival, e do MC Pavão, diretor do Coletivo Aquilombando, GOG falou da importância de enxergar a cultura hip hop como oportunidade. Reconhecer nela um mercado que impulsione e remunere seus agentes sem perder a consciência e o compromisso social.
“Nunca tivemos um PIB do Hip Hop. Até hoje pessoas de fora da cultura lucraram com a gente, lançando marcas com nossa estética. Precisamos fazer o dinheiro girar entre os agentes da cultura hip hop. Temos que patrocinar nossa autogestão e parar de financiar a dos outros”, afirmou GOG enquanto todos os olhares da sala se voltavam pra ele com admiração e expectativa.
GOG defendeu a idéia de estabelecer parcerias como modelo ideal a ser adotado para a circulação da produção independente e disse que o maior problema dentro do hip hop é a falta de estratégia. “Precisamos criar redes; aprender e multiplicar conhecimento de como elaborar um projeto, captar recursos e executar nossas produções, saber como funciona a nossa cadeia produtiva”.
Quando apontado no seminário como referência de poesia e militância, GOG afirmou categoricamente: “Ainda defendo o hip hop como convulsão social porque ele nasceu do confronto. Quem assimila o hip hop só como mexer os quadris entrou na metade da historia e não entendeu nada ainda”.
Ao fazer um breve levantamento da sua carreira, o poeta concluiu: “A historia foi muito boa comigo. Aos seis anos minha mãe me apresentou Cecília Meireles. A literatura me transformou. Ter uma mãe professora foi decisivo. Quem quer fazer rap tem que saber que a concorrência é grande e que é preciso se destacar. Ler, criar uma estrutura, se superar todo dia e tomar cuidado com as armadilhas”.
Depois do seminário veio a esperada homenagem apresentada por Nega Gizza, que também parecia emocionada ao anunciar o nome do poeta. Na seqüência Gog subiu ao palco novamente para receber o Prêmio Consciência de melhor videoclipe com Brasil com P.
Vários shows, batalhas de break e de rimas abrilhantaram o primeiro dia do Festival Consciência Hip Hop mas é certo que, desde cedo, o público mal podia esperar para assistir ao show do GOG. Rap com banda já parece ser comum e podemos citar diversos exemplos de grupos bem-sucedidos com esse formato. Mas, na prática, diversas dificuldades estruturais ainda se apresentam na hora de garantir tal formato nos eventos tipicamente de hip hop.
É preciso frisar ainda que a maior parte do público adepto do formato mc+dj+banda está fora do hip hop. Algumas pessoas não o assimilam. E há quem diga que rap com banda desvirtua a idéia dos quatro elementos, que subjuga e desvaloriza o DJ.
Para esses, conservadores, basta dar uma olhada no desempenho de Dj A, dj do GOG. Ele prova rapidamente o engano. Junto com músicos profissionais de primeira qualidade, não se intimida, fica à vontade e manda grandes performances, mostrando porque o DJ é considerado elemento imprescindível para a cultura hip hop.
“O surgimento do toca-discos trouxe oportunidade. Antes tinha só a banda e quando o toca-discos chegou foi uma verdadeira revolução. Hoje as pessoas querem outro formato, ou pelo menos seria bom que elas começassem a assimilar outros formatos sem pensar que isso vá descaracterizar a cultura. Com meu formato estou atingindo novos públicos e isso é muito bom também”, afirma o homenageado da noite.
Com uma apresentação redonda e cheia de energia, GOG e sua banda, formada por Angel Duarte (baixo e voz), Kiko Santana (violão e voz), Richelmy (percussão), Ted (teclados), Ariel Feitosa (guitarra e produção musical), Júnior (bateria) e Dj A nas pick ups, sem esquecer do técnico Ricardo Gonzalez, mais conhecido como Frango, e Tico (roadie), sob a produção de Ivan Pereira (Du Rock Produções), fecharam a noite atendendo a todas as expectativas do público, que não eram nada pequenas. Fãs de GOG há mais de dez anos, muitos ali ainda não haviam tido a oportunidade de ver nenhum show seu. Cada música era atentamente ouvida e acompanhada pela platéia que gritava sugestões de sucessos antigos a todo o momento.
Assim fecha Genival, o nosso GOG, mais um ano de muito sucesso. A cada dia ele prova que é velha e nova escola ao mesmo tempo. Que tem a ensinar aos velhos e aos novos. Dentro e fora do hip hop. Genival Oliveira Gonçalves, além de honrar o nome ritmo e poesia e o título de poeta, traz, no auge de seus vinte e cinco anos de carreira, militância e referência de qualidade sonora incontestável ao rap nacional. Poeta, rimador, músico, a(r)tivista e, sem dúvida, um grande mestre griô. Quem aí não quer ver GOG na academia brasileira de letras já?
E que em 2009 ele não pare de surpreender – assim seja.